Ontem a noite foi ao ar no Fantástico (rede globo) a matéria “Aquecimento global: como salvar o planeta“, que conta como a NASA, preocupadíssima com esse problema ambiental, escalou alguns dos mais renomados cientistas para encontrar soluções para combater o aquecimento global.

Em alguns momentos tive a impressão de haver nas entrelinhas da narração, um certo tom de deboche (bem sutil, é claro). Pudera, como é que um “renomado cientista” perde tempo e dinheiro para criar um guarda sol gigante que custaria, por alto, uns R$ 700 trilhões?

Foi o caso do físico Roger Angel, o homem que construiu as lentes do telescópio mais poderoso do mundo.

Ou a outra mirabolante idéia de Stephen Salter, da Universidade de Edimburgo, que sugere fazer nuvens mais encorpadas, jogando microgotas de água do mar na atmosfera. Seriam necessários 500 litros de água salgada por segundo na atmosfera, 24 horas por dia para se obter o resultado desejado.

Ou ainda, jogar enxofre na atmosfera, mesmo que isso tenha conseqüências graves, como chuvas ácidas e danos à frágil camada de ozônio. A grande idéia (pasmem!) partiu de Paul Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel de Química em 1995 por sua pesquisa justamente sobre o buraco na camada de Ozônio.

E vejam a justificativa do célebre cientista: “Nossas ações sempre têm um impacto positivo e outro negativo no ambiente. Nesse momento, a prioridade é conter o aquecimento global. Se a temperatura do planeta subir mais 2º ou 3º Celsius, teremos um problema muito maior nas mãos”

Me digam, é preciso estudar quantos anos para se chegar a uma conclusão como esta?

Vamos imaginar uma situação: Temos uma casa que está com grandes rachaduras dando indícios claros de que vai desmoronar. Então, seguindo o princípio do nobel cientista, vamos demolir logo a casa para tirar os corpos ao invés de escorar paredes para tirar as pessoas em segurança.

E tem mais: O cientista Ian Jones quer jogar uréia no oceano para aumentar a quantidade de fitoplâncton – vegetais que vivem nos oceanos e se alimentam de uréia. Eles tem grande capacidade de absorver o gás carbônico e a idéia é instalar tubulações que levem a uréia, das fábricas de fertilizantes para essas regiões do mar.

E quando o repórter perguntou – “Mas será que deveríamos interferir tanto assim na natureza?” – teve a resposta: – “Nós já alteramos a natureza. Agora precisamos gerenciá-la. Ela nunca vai voltar a sua condição original, depois de tudo que fizemos”.

Daí fico pensando… em que planeta esses caras vivem?

Será que não é mais eficiente estudar formas de usar com responsabilidade o que já temos? Será que essa não é a melhor forma de “gerenciar” os estragos e tentar minimizar os impactos sem criar novos?

Em Santa Catarina, o Sr José Alano, aposentado, desenvolveu um sistema de aquecimento de água que além de utilizar materiais que seriam descartados na natureza, tem baixo custo e usa energia limpa. O sistema de aquecimento solar ecológico tem vida útil de aproximadamente 200 a 400 anos, já que os materiais usados levariam esse tempo para se decompor na natureza.

Durante dias ensolarados, a água aquecida pode atingir 58 graus centígrados, e em dias nublados ou durante a noite a perda de temperatura é de 1 grau centígrado por hora, ou seja, até mesmo durante a noite o banho quente está garantido. A economia gerada é cerca de 40% em água e energia elétrica.

O projeto foi patenteado e as instruções de montagem do aquecedor solar estão disponíveis no site da Secretaria do Meio Ambiente e Recusos Hídricos – SEMA

No site do governo do Paraná encontramos também uma lista de postos de coleta de óleo de fritura para fabricação de BioDisel.

Existem tantas outras alternativas limpas e ecologicamente corretas para gerar energia sem comprometer mais ainda nosso planeta.

Vejam o estudo do Greenpeace sobre energia eólica.

Aerogerador instalado no interior de uma cidadeEsse sistema tem sido aproveitado desde a antigüidade para mover os barcos impulsionados por velas ou para fazer funcionar a engrenagem de moinhos usados para fabricação de farinhas e ainda para drenagem de canais, sobretudo nos Países Baixos.

Atualmente utiliza-se a energia eólica para mover aerogeradores que produzem energia elétrica.

É vento. Tá ai, no ar, e dá energia. Porque os governos não investem?

Ah, claro, isso não dá dinheiro. Não se pode engarrafar o vento pra vender para quem quiser energia.

Temos ainda a força gerada pelas ondas e outras tantas fontes que não precisam ser “fabricadas” como a gasolina, o biodisel vindo da agricultura ou a atual energia elétrica que precisa de uma usina hidrelétrica (nem vou comentar o que a construção de uma dessas pode destruir) ou nuclear (muito menos sobre essa).

Será que o investimento em alternativas realmente limpas não gera uma qualidade de vida melhor, novas oportunidades de especializações, empregos … e será que isso não gera um aquecimento “positivo”, o aquecimento da economia?

Termino o post com a mesma frase com que o Fantástico terminou a matéria.

“Que essas idéias sejam, pelo menos, um início. Porque o planeta precisa ser salvo.”

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Fontes:

Site do Fantástico
Wikipedia – Energia eólica
Foto do aerogerador – Adrian Pingstone
Meio Ambiente Paraná
e blog ZineInAtitude