A consciência ecológica já havia me fisgado, mas como a maioria das pessoas, eu esperava que os outros fizessem alguma coisa. Foi com o Projeto Turismo Responsável, idealizado pelo meu marido Marcelo Maestrelli, que tive a oportunidade de praticar e influenciar para ações que contribuem com a sustentabilidade das regiões que visitamos.

Com o consumo consciente é a mesma coisa. Um dia, pegando no armário do banheiro uma nova pasta de dentes para usar, pensei: Porque cargas dágua eu jogo a caixinha no lixo do banheiro e não ando alguns passos até o quintal e coloco no cesto de lixo dos recicláveis?

Aqui em casa nós separamos papel, plástico, vidro e metal para uma senhora que é catadora de recicláveis (já que a coleta seletiva da cidade não vem ao nosso bairro), e que passa aqui em casa a cada 15 dias. Temos um latão de lixo especial pra isso onde colocamos as embalagens dos alimentos (lavadas), e ainda assim, eu jogo (jogava) o lixo no lugar errado.

Pois é, são três pontos a considerar: hábito, preguiça e consciência.

Então, na busca por notícias interessantes para postar aqui e dividir com vcs, encontrei essa matéria da Revista Vida Simples sobre embalagens, consumo e descarte. Segue a matéria na íntegra:

Embalado para o futuro
Um terço do lixo da nossa casa é composto por embalagens. Saiba o que fazer para que esses invólucros não se tornem inimigos da natureza
por Priscilla Santos

Imagine que você acaba de chegar do supermercado e vai desempacotar as compras. Primeiro você tira a banana da sacola e depois do plástico-filme que a envolve. Então é a vez de o sabonete sair da sacola plástica e da embalagem de papel. O peixe para o almoço faz um caminho mais longo: é tirado da sacola, do plástico-filme e da bandeja de isopor antes de cair na frigideira. Ao fim de uma cena como essa, se você der uma conferida na sua lixeira, vai se espantar com a quantidade de embalagens que tiveram uma vida útil relâmpago. Nada contra as embalagens, que fique claro, elas são essenciais para a integridade dos produtos. Mas será que precisamos de tantas assim? Não responda agora, primeiro leia o que vem a seguir.

Um terço do lixo doméstico brasileiro é composto por embalagens, os outros dois terços por comida. E 56% de todo o lixo plástico é feito de embalagens usadas. Pudera. Só de sacolas de supermercado é distribuído 1 bilhão por mês no Brasil. No mundo todo é consumido 1 milhão de sacos plásticos por minuto. Agora junte os fatos: o plástico é um derivado do petróleo e leva séculos para se decompor, porém foi inventado há menos de 80 anos. Já dá para imaginar a quantidade de plástico que vaga por aí, em algum lugar do planeta. O pior é que eles entopem rios e bueiros, causam inundações e desembocam no oceano, matando animais que os confundem com comida. Na Normandia, França, foram encontrados 800 quilos de plástico no estômago de uma baleia morta. Mas esse não é o único vilão. Quando compactado, o isopor se reduz a quase nada, levando em conta que 95% de sua composição é ar, o que o deixa pouco atraente para a reciclagem. Sem outro jeito, ele acaba indo para os aterros e lixões, onde prejudica a decomposição do lixo biodegradável, já que não se compacta facilmente ­ pelo contrário, leva 400 anos para se decompor. Mas chega de notícia ruim. Você já deve ter uma reposta na ponta da língua sobre se precisamos ou não reduzir o uso de embalagens. Vai encarar o desafio? Então vire a página e saiba que não está sozinho nessa.

Leis e novas tecnologias

O grito ecoou pelos quatro cantos do mundo. Em março, a prefeitura de São Francisco, no estado americano da Califórnia, anunciou que baniria de supermercados e farmácias as sacolas de plástico, que agora devem ser retornáveis, de material compostável (que pode ser transformado em adubo), como amido de milho ou papel reciclado. Baseado em projetos adotados na Irlanda e em Taiwan, Hong Kong criou a campanha permanente No Plastic Bag Day, algo como “dia de não usar sacola plástica”, marcado para a primeira terça-feira de cada mês, e instalou uma taxa por sacola consumida no supermercado, atitude também tomada pelo estado australiano de Victoria. Uma rede de supermercados em Tóquio adotou a idéia, depois que uma lei no país exigiu que os grandes varejistas se engajassem na luta pela redução das sacolas plásticas.

O efeito dominó pode atingir em cheio o Brasil. Projetos de lei e campanhas foram divulgados em estados como Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, propondo, inclusive, a substituição total das velhas sacolinhas. As propostas chamaram atenção para materiais que estão surgindo na indústria. O plástico oxibiodegradável, única novidade que já pode ser vista em supermercados e farmácias do Brasil (em embalagens de cosméticos e sacolas), e um dos mais indicados pelas propostas de lei por aqui, é também fonte de polêmica: seus efeitos sobre o meio ambiente ainda são desconhecidos (leia no quadro).

O fato é que tudo tem seu porém. Especialistas afirmam que nem sempre biodegradável é sinônimo de bom para o meio ambiente. Mal damos conta de dar um bom fim aos resíduos orgânicos que já geramos: mais da metade do nosso lixo é resto de alimento e nem 1% é compostado. Para alguns pesquisadores, transformar o lixo orgânico em adubo e reciclar os outros resíduos parece melhor solução ­ quanto às sacolinhas de plástico, valeria também incinerá-las para gerar energia elétrica. Ninguém nega que o desenvolvimento de matérias-primas de fontes renováveis seja de suma importância, até mesmo porque o petróleo não vai durar para sempre. O medo é que a cultura do biodegradável acabe deseducando a população. “Qualquer que seja a embalagem, ela foi produzida e para isso consumiu matériaprima, água e energia e emitiu carbono na atmosfera. As pessoas podem perder isso de vista”, diz Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. Moral da história: por mais que novidades apareçam, lembre-se do ensinamento: reduzir, reutilizar, reciclar.
O que há de novo

PLÁSTICO DE FONTE RENOVÁVEL E BIODEGRADÁVEL. Originário de fontes renováveis, biodegrada-se naturalmente. Um exemplo é o chamado biocycle, desenvolvido e produzido no Brasil a partir da cana-de-açúcar. Ao se decompor, gera água, húmus e gás carbônico na mesma quantidade que a cana que lhe dá origem absorve lá na plantação. Porém, se a degradação ocorrer em aterros, pode gerar metano, gás com potencial de efeito estufa 23 vezes maior que o CO2 (o mesmo vale para o oxibiodegradável, a seguir). O melhor seria transformá-lo em adubo. A maioria do material é exportada.

PLÁSTICO OXIBIODEGRADÁVEL. Como o convencional, é originário do petróleo. Na fabricação, colocam-se aditivos químicos que fazem com que, em contato com o oxigênio (daí o nome oxi), o plástico leve de seis meses a dois anos para de decompor. Alguns pesquisadores suspeitam que os aditivos contenham metais pesados, com risco de contaminação do solo e dos lençóis freáticos, o que também poderia ser ocasionado pelos resíduos de tintas e pigmentos. Não é compostável nem tem liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para contato com alimentos.

PLÁSTICO DE FONTE RENOVÁVEL E RECICLÁVEL. Possui as mesmas características físico-químicas do plástico convencional, ou seja, é difícel de ser degradado por microorganismos devido a suas longas cadeias moleculares. Porém, é originário de fontes renováveis, como a cana-de-açúcar, e não do petróleo. Não é biodegradável, mas reciclável. Deve ser produzido no Brasil a partir de 2009. Espera-se que até lá a reciclagem de plástico no país esteja maior.

ISOPOR VEGETAL. A partir do milho e da mamona, uma indústria química de São Carlos, em São Paulo, produz um material similar ao isopor, porém biodegradável e compostável. Ainda não é usado em embalagens que chegam ao consumidor final. Outra empresa paulista está comercializando o biopack, outro primo do isopor, feito a partir do milho e cortado no formato tipo salgadinho, para proteger eletroeletrônicos durante o transporte.

O que você pode fazer

Quando for às compras, leve sua própria sacola. Se você mora em São Paulo, engaje-se na campanha “Eu Não Sou de Plástico”, que acaba de ser lançada pela prefeitura da cidade para incentivar as pessoas a usarem sacolas retornáveis, tal qual antigamente. Em Lajeado (RS), o município lançou a mesma idéia. Se você precisar pegar a sacolinha plástica do supermercado, não exagere na dose.

Prefira as embalagens com maiores quantidades para os alimentos não-perecíveis. “Se você pegar cinco sacos de arroz de 1 quilo, abri-los numa mesa lado a lado e depois fizer o mesmo com um de 5 quilos, vai ver que este último usa menos material”, diz Géssica Elen, consultora do Instituto Akatu. Evite o embalado um a um. Por que não comprar a garrafinha de 1 litro de iogurte em vez daquele punhado de copinhos? Na seção de queijos e frios, peça para cortar seu produto na hora e embrulhar apenas no plástico-filme, sem isopor. Na área de frutas, legumes e verduras, corra atrás dos produtos a granel (se não encontrar, avise o gerente ou deixe um recado naqueles papéis para sugestões). Passe reto se vir duas berinjelas embaladas em isopor com plástico-filme. Pense bem: só aí já são duas embalagens. Se você põe na sacolinha do supermercado, viram três. Se colocar direto na sacola retornável, reduz as embalagens a zero.

Dê preferência aos produtos com refil e aos retornáveis. Hoje já existem embalagens de cosméticos e produtos de limpeza de PET reciclado. Se a embalagem for de papelão, prefira o pardo, que pode ser feito de material reciclado e não passa pelo processo de branqueamento, muito poluente. Além do mais, o material mais bruto ainda contém substâncias da árvore, como a lignina, o que facilita sua degradação.

Fique atento aos selos de reciclável e reciclado nas embalagens. Ao contrário de países como Alemanha, Estados Unidos e Japão, que possuem selos ambientais para embalagens concedidos por certificadoras, no Brasil prevalece a autodeclaração. Assim, se você desconfiar de alguma informação no rótulo, procure o atendimento ao cliente da marca, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) ou o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar). Como esse tipo de rotulagem não é obrigatório, nem sempre as marcas adotam. “O consumidor deve dar preferência a quem colocou o símbolo, para incentivar que outros fabricantes também o coloquem”, diz Reynaldo Galvão Antunes, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Depois do consumo

Reaproveite as embalagens. Transforme as latas de óleo e azeite em vasos de planta. Ok, essa é velha. Mas uma boa idéia para quem mora sozinho é usar o pote da margarina ou o copo da geléia para guardar o feijão que sobrou do almoço ou para congelar pequenas porções de comida. Use sacolas de papel ou caixas de papelão para colocar o lixo. Se você é daqueles que se justificam quanto à sacolinha de supermercado, dizendo que a utiliza para botar o lixo, atenção: assim elas não vão parar de se proliferar e ainda vão atrasar a decomposição do que estiver dentro, já que demoram séculos para se desfazer.

O que não der para reaproveitar, separe para reciclagem. Deixe de preguiça, temos boas notícias: você pode separar apenas o resíduo seco (papel, plástico, metal e vidro) do orgânico. Nas recicladoras, o material passa por uma triagem. Se você fizer a sua antes, de qualquer forma esse trabalho será feito outra vez. Quer ajudar? Deixe os resíduos o mais limpo e compactado possível. Se a coleta seletiva de sua cidade é capenga, saiba que cada vez mais surgem cooperativas de catadores que aceitam o material e que os pontos de coleta nas cidades estão crescendo, inclusive nos supermercados. A rede Pão de Açúcar possui postos de coleta em 100 lojas no país.

Exemplo de animar é o do supermercado Modelo, em Cuiabá (MT). Quem deposita latas de alumínio e garrafas PET em seus postos para reciclagem ganha bônus para pagar a conta de luz. E, se idéia boa é para se copiar, aqui vai uma que bem podia ser reproduzida por aí: o Caixa Ecológico, do supermercado Festval Barigüi, em Curitiba. Idéia do projeto de mestrado da designer Dulce Albach, funciona como um caixa comum, com a diferença de que possui um contêiner para a pessoa já deixar ali mesmo as embalagens que jogaria no lixo ao chegar em casa, como a caixinha do creme dental. O material é encaminhado para a reciclagem. Assim, começa um novo ciclo de vida e a história toda se repete, desde o início.

Fonte: Vida Simples