Bom, todos já sabem que Viajante Consciente é um casal, mas o que vocês não sabem é que temos um “terceiro” membro nessa família: o carro.

Não é um carro comum de passeio, nem um daqueles jipes clássicos do sonho de todo aventureiro. Aos olhos de algum desavisado, nosso carro pode ser confundido (e sempre é) com um mero carro de entregas. Afinal, para que outra finalidade serviria um furgão Ford Courier branco?

Esse carro foi escolhido a dedo por um único motivo: o tamanho da caçamba. Mas vamos voltar um pouquinho na história, pra poder explicar melhor.

Bom, nosso objetivo é, e sempre foi, viajar por esse mundão de meu deus e mostrar com nossas imagens e textos os atrativos turísticos de cada lugar, dar dicas de hospedagens e serviços – valorizando os que se preocupam com o meio ambiente e com a sustentabilidade de sua região, e indicar agências de aventura que sejam responsáveis.

Pretendíamos realizar isso com o Projeto Turismo Responsável e a idéia era de termos um motor-home para ser nossa casa e escritório. Como não iamos esperar aparecer um patrocinador (e olha que procuramos muito), para iniciarmos a viagem, tínhamos que arrumar um veículo que coubesse no nosso bolso e que nós coubéssemos nele.

Assim surgiu o nosso Motor-kitnet-home.

Roupas, equipamentos eletrônicos, a bateria que armazena energia solar para os equipamentos, alimentos e nós. Tudo isso tinha que caber na caçamba.

Sim, nós na caçamba. Para os momentos em que o lugar escolhido fosse desprovido de qualquer infra-estrutura.

Com pouco dinheiro para investir em adaptações no carro e com muita vontade de realizar, combinamos criatividade com engradados de plástico, mdf e espírito de aventura.

Motor-kitnet-home do Viajante Consciente

Os engradados de plástico ficam arrumados em toda extensão do chão da caçamba e servem para guardar as mochilas com roupas, os alimentos, os materiais de trabalho e a bateria (já explico sobre ela).

Sobre os engradados, cobrimos com placas de mdf e pronto; temos uma superfície lisa para colocarmos os sacos de dormir.

Isso mesmo. Dormir no carro.

Na época do Projeto Turismo Responsável, onde o carro estava todo envelopado de forma promocional, não houve a oportunidade de esperimentarmos o Motor-kitnet-home para dormir, mas já deu pra comprovar que para o resto (toda a tralha que carregamos), foi uma boa escolha.

Sobre a tal bateria que levamos: O carro tem uma placa de energia solar no teto, cedida como apoio pela Solar Terra. A energia solar é armazenada em uma bateria que fica em um dos engradados na caçamba e é nela onde ligamos nossos notebooks, carregamos os celulares e as barerias das câmeras de foto e vídeo. Dessa forma, podemos trabalhar em qualquer lugar; estrada, mato, trilha, beira de rio, praia… é só escolher.

Bom, em 2 anos, só conseguimos ter essa experiência de dormir no carro e trabalhar em lugares inusitados apenas 1 vez.

Foi agora, depois de acabado o Projeto Turismo Responsável e com o carro branquinho branquinho, sem adesivos e como Viajante Consciente que, em Santo Amaro da Imperatriz, passamos nossa primeira noite no nosso Motor-kitnet-home.

Santo Amaro da Imperatriz fica a 35km do centro de Florianópolis e é uma estância de águas termais. Já passamos por lá no ano passado e postamos contando como foi.

Neste ano foi diferente. Fomos pra lá com o único propósito de, finalmente sair de floripa e cair na estrada com o nosso objetivo de visitar os destinos turísticos, reportar aqui no blog, no EcoViagem, na ClicTV e onde mais surgir a oportunidade. Em cada lugar onde paramos, também oferecemos nossos serviços profissionais em produção de imagens e sites otimizados.

E assim vamos indo, contando nossas novas experiências…

Ah, falando nisso, voltemos à Santo Amaro da Imperatriz. Quando chegamos, demos de cara com uma cidade praticamente fechada por causa da Festa do Divino.

A festa do Divino: Quarenta dias depois da Páscoa, a festa celebra o Divino Espírito Santo, entidade da Santíssima Trindade, que se manifestou aos apóstolos depois da morte de Jesus. As comemorações duram 4 dias e incluem shows, barracas de comida e pirotecnia.

Então, escolhemos um lugar, perto do Hotel Caldas da Imperatriz para estacionar e nos fixar.

O Hotel, que é de propriedade do município e administrado por uma diretoria particular e independente, mantém uma Casa de Banhos, onde visitantes podem experimentar os banhos termais pagando taxas que variam de R$ 5,00 a R$ 10,00.

Depois de garantido um banho bem quentinho e terapêutico, fomos nos arrumar para passar a noite, que não foi das melhores.

A caçamba não tem ventilação, e por mais que a gente deixe frestas da porta traseira e das janelas da frente, não circula ar suficiente para renovar a atmosfera interna. No meio da madrugada fria, acordamos com uma goteirinha na testa. É que o ar da nossa respiração tinha condensado e as paredes internas da capota estavam úmidas e já pingando.

O Marcelo então enxugou as paredes e o teto com um pano, e eu abri um pouco mais a porta pra ver se entre um pouco mais de ar.

Também estávamos desconfortáveis. Mesmo com o isolante térmico (feito de EVA), sob os sacos de dormir, o “chão” do carro estava bem duro.

Logo cedo, tomamos nosso café da manhã numa pracinha bem gostosa ali ao lado do carro.

Café da manhã em Santo Amaro da ImperatrizEm qualquer lugar, podemos nos conectar e dar conta de nossos trabalhos

Resolvemos começar a trabalhar, mas o sinal de internet estava muito fraco (usamos a internet móvel da Vivo), e resolvemos procurar um outro lugar pra ser nosso escritório.

Fomos então para o centro da cidade e encontramos uma lanchonete fechada que tinha, do lado de fora, umas mesas e bancos “na medida” pra nos instalarmos e mandar ver no trabalho.

Depois de dar conta de emails, e alguns trabalhos, resolvemos que, como a cidade estava fechada (fechada mesmo… só serviços de emergência funcionavam), não adiantava ficarmos por lá. Resolvemos então pegar a estrada para Urubici.

foto de Marcelo Maestrelli