Mini usina vai transformar plásticos e resíduos de obras em pedra

Está programado para a segunda quinzena deste mês o início das operações do projeto-piloto da primeira ecofábrica de reciclagem de resíduos sólidos de Salvador. O empreendimento trará para o mercado soteropolitano uma tecnologia pioneira de transformação de produtos recicláveis, como o plástico e a garrafa pet, em pedra para a construção civil, mediante fusão com resíduos provenientes de obras.

O produto, conhecido também como ecopedra, pode ser utilizado em serviços de infra-estrutura urbana, como em redes de drenagem, calçamento, escadas, canaletas e meios-fios, assim como servir blocos estruturais para habitações populares e escolas.

Dentre as vantagens anunciadas com a nova técnica, está o ganho econômico, já que o custo do artigo produzido a partir dessa reciclagem é 50% inferior ao da brita normal. “Isso gera economia para a prefeitura, que irá deixar de comprar brita. Além disso, tem a questão ambiental, pois o direcionamento do plástico para a produção dessa pedra vai ajudar a diminuir o volume dos lixões, contribuindo assim para a redução na emissão de gás metano e, conseqüentemente, para a diminuição do aquecimento global”, explica o diretor da Reciclar Ambiental – ONG que vem intermediando a negociação para a implantação da ecofábrica em Salvador –, Fernando Brenha Chaves.

Conforme dados da organização, com uma tonelada de lixo plástico, em composição com resíduos sólidos oriundos da construção, é possível produzir três toneladas da pedra. Segundo o dirigente, que juntamente com o professor do Instituto Militar de Engenharia, José Carlos Moreira, são os idealizadores dessa tecnologia, a novidade trará ainda outros benefícios para a cadeia produtiva baiana. “Por exemplo, enquanto um metro cúbico de brita natural pesa 1,4 mil quilos, a mesma proporção de ecopedra pesa 900 quilos. Aliado a isso, esse novo material dissipa energia e não esquenta”, completa. De acordo com Fernando, que não revelou o valor do investimento na instalação da unidade e nem a identidade do investidor do projeto, a mini usina deverá produzir cerca de mil quilos de pedra por dia.

Apesar de pequena, o início dessa produção deverá estimular a adoção dessa técnica na região, incentivando a construção de usinas de grande porte. Com relação à localização do projeto, Brenha informa que o assunto ainda está sendo estudado juntamente com as cooperativas de catadores. “É uma proposta inovadora, que conta com tecnologia 100% nacional. Através dessa iniciativa, ocorrerá ainda uma ampliação do valor agregado junto ao plástico, estimulando, dessa forma, o campo de trabalho dos catadores”, comenta.

Fonte : Correio da Bahia – reportagem de Alan Amaral